quarta-feira, 24 de junho de 2026

A Copa das Copas

A tarde está em suspensão. O time dos times vai jogar na Copa das Copas. 

Nós não temos o melhor arqueiro, mas, vá lá, o menino até que passa bem. Não temos os melhores becks, mas tudo normal até aí. No meio campo, nenhum gênio da arquitetura da pelota também. E, nas pontas, pode ser que um ou outro salve com suas boas jogadas, esperando que o artilheiro fenomenal (que nós não temos), mate no peito e resolva o assunto.

A história do futebol-magia brasileiro é antiga e também é um dos ícones do marketing tupiniquim. Nem mesmo Washington Olivetto jamais conseguiria emplacar um folclore assim, como se o Brasil tivesse uma ginga genética passada pelas entidades do futebol apenas aos pés dos meninos das várzeas desse país imenso, diverso, sofrido e que parece ter o dom de cambalear por séculos a fio, sem cair, nem levantar.

Sim, tivemos Pelé. Tivemos Jairzinho, Rivelino. Tivemos o Dinamite, o Branco, O Roberto Carlos e dois Ronaldinhos (porque o primeiro começou Ronaldinho e tentaram mudar o apelido dele para caber o próximo Ronaldinho _ talvez não o quisessem conhecido como Gaúcho para não dar o crédito ao lugar de onde ele veio). Temos jogadores excepcionais. Joias raras, exportadas como pêssegos delicados, em caixas de luxo, para só retornarem quando estiverem voltando ao caroço.

Mas nosso futebol ainda carece da mesma coisa que quase todo brasileiro carece: método. Paciência. Resiliência. Disciplina, Responsabilidade social e visão de grupo.

Não é culpa do esporte que o time é assim, meio bagunçado, meio salto alto. É culpa do jeitinho. A gente precisa responsabilizar as coisas pelo seu nome correto: cá no Brasil, temos dificuldades em nos comprometermos a médio e longo prazo com as causas que precisam de comprometimento. Queremos ser aquele que resolve. E queremos colocar nas costas dos outros quando o que deveria ser resolvido não se resolve (ou se piora). Em suma: se deu bom, eu que fiz. Se deu ruim, o outro que estragou.

E tem a politicagem também. As grandes marcas que querem ver esse jogador aqui ou aquele ali escalados. Uma comissão técnica corrompida permite que essas coisas aconteçam. E comissões brasileiras corrompidas... bem... há milhares, já sabemos. Somos extremamente corruptíveis, infelizmente. 

Enquanto escrevo, do alto da torre de concreto, as buzinas lá embaixo abafam o coração estressado dos torcedores tímidos. Pelas janelas, bandeiras desenfunadas (nem o vento ousa balançá-las).  Pessoas transitam em verde e amarelo, correndo a caminho de casa (ou do bar, ou...). A esperança se recusa a morrer. A métrica se recusa a ser importante. Tudo aquilo que eu falei antes, soando como um tratado sociológico prosaico e desfavorável, desaparecerá quando a seleção pisar o gramado, apesar das chuteiras fúcsia nada originais dos reis do merchandising.

Saravá, Pindorama! Dá lá seu recado!


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