Eram os últimos dias de primavera e estava comum que os termômetros ultrapassassem já os trinta graus sempre quando o sol estava a pino.
O calor independia da falta de nuvens; era constante, irritante até, e fazia as roupas ficarem grudentas por conta da pele suada e dos cabelos ensopados que faziam desenhos nas testas das crianças.
Às vezes, quando o vento vinha, era como um abraço morno, quase sufocante, que tirava da gente a esperança da fresca e nos fazia desejar o inverno e suas friacas de quebrar os ossos.
Faltariam ainda uns quatro meses para que a sombra da garagem esfriasse nos fins de tarde: o verão estava prestes a dar as caras. Sem surpresas, sem distrações, sem piedade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário